Nós mulheres com deficiência, somos duplamente discriminadas, porque somos mulheres e temos uma deficiência. A maioria das mulheres com deficiência sofre em silêncio, privadas de sua identidade, pouca ou nenhuma referência nos é dedicada nas datas que se comemora a condição da mulher.
Diante da exclusão que ainda passamos, nos reunimos e criamos o Coletivo de Mulheres com Deficiência do Maranhão, um espaço de diálogo e debate sobre as ações e políticas especificamente da mulher. Queremos quebrar o ciclo de invisibilidade.
No mundo atual, uma em cada dez pessoas tem algum tipo de deficiência e quando “são mulheres” ficam marcadas por varias condições estigmatizadas, marginalizadas socialmente e excluídas da vida em comunidade.
Apesar de o Brasil ser um dos poucos países com uma legislação especifica, poucas coisas são efetivadas às pessoas com deficiência, e quando são mulheres, isso se agrava, pois continuam na exclusão sócia. A pobreza está relacionada muitas vezes a deficiência devido a falta de acesso a serviços públicos. Pensando nisso e querendo mudar essa situação, vimos a necessidade de levar essa discussão para um espaço mais amplo com representantes de mulheres com deficiência do Município e Gestores do Governo.
Nosso objetivo é debater, refletir e discutir com o Governo e a sociedade em geral sobre as políticas públicas e como serão efetivadas e aplicadas como uma forma de mudar as condições social, econòmica e profissional das mulheres com deficiência no Estado do Maranhão.
Acreditamos que essa mudança só acontecerá quando houver um diálogo entre Governo e sociedade civil, juntos desenvolveremos um plano de ação, para fortalecer a luta e fazer valer a Convenção Internacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que foi ratificada pelo Brasil, é emenda Constitucional, e no seu artigo sexto aborda o direito das mulheres e meninas com deficiência:
Artigo 6
Mulheres com deficiência
- Os Estados Partes reconhecem que as mulheres e meninas com deficiência estão sujeitas a múltiplas formas de discriminação e, portanto, tomarão medidas para assegurar às mulheres e meninas com deficiência o pleno e igual exercício de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais.
- Os Estados Partes tomarão todas as medidas apropriadas para assegurar o pleno desenvolvimento, o avanço e o empoderamento das mulheres, a fim de garantir-lhes o exercício e o gozo dos direitos humanos e liberdades fundamentais estabelecidos na presente Convenção.
Segundo o Censo 200 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE aproximadamente 25 milhões de pessoas possuem alguma deficiência. Sobre o Maranhão, o Censo de 2000 diz que 16,14% da população maranhense tem alguma deficiência, projetando para a nossa realidade atual o numero de pessoas com deficiência em 2009 é de 1. 1.714 pessoas, sendo que mais de 52% são mulheres. Este número é muito significativo, e essa população não pode ficar à margem da sociedade. Seguramente conclama por educação, saúde, trabalho.
De acordo com as pesquisas da Fundação Getulio Vargas no Maranhão mais de 52% dessa população vive abaixo da linha da pobreza ou seja na miséria absoluta.
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